terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Falácia da Operação Verão

Todo ano quando chega inicio de dezembro os olhares do estado inteiro se voltam por 40 no máximo 60 dias para o nosso litoral, aliás nessa época ele é mais nosso do que nunca, governador adora a região, empresários instalam suas filiais temporárias e vendem uma falsa identificação com a região, eventos e mais eventos acontecem por aqui, e para nós trabalhadores, que vivemos 365 dias por ano aqui, nada muda, aliás até muda pra pior.

Entra governo e sai governo e a visão é do governo do estado em relação ao litoral, é a mesma daquela musica “Aluga-se” do saudoso Raulzito e seu parceiro Marcelo Nova, somos o “jardim do quintal” dos paranaenses, local em que todos veem se divertir nesta época e depois nem lembram da sua existência.

O governo do estado diz se preocupar com o litoral mostrando os números de policiais, médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, coletores de lixo, equipes de limpeza de praia, que mandam para a litoral, mas mandam pra quem??? Para atender nós moradores?? LógSalvar agoraico que não é apenas para garantir a segurança, a saúde o bem-estar dos veranistas, muito pelo contrário muitas vezes esta estrutura é utilizada para reprimir os pequenos comerciantes do litoral, porém nunca incomodam os grandes empresários, nem os locais e nem os oportunistas temporários.

Sem contar que agora é a hora do governo estadual, prometer que no próximo ano será diferente, que haverá uma programação com maior antecedência, que vai começar a lutar por desenvolvimento para o litoral, e ai vem outro ponto, desenvolvimento pra eles é encher de empresas e acabar com nossa qualidade de vida e com os recursos naturais, e tudo isso após o carnaval é novamente esquecido. Por isso devemos lembrar bem ano que vem e ver quais os políticos locais que apoiam esse governo estadual e o federal também.

Por fim ainda este ano, o excelentíssimo governador, decidiu tirar as atividades esportivas e culturais do calendário da operação que agora se chama “Verão Paraná”, ou seja os pouco de eventos culturais e esportivos que podíamos desfrutar mesmo que se acotovelando com os turistas, por que nunca os temos durante o ano, foi nos tirado também.

O litoral não precisa e nem pode sobreviver de operações especiais dos governos municipais, federais e estaduais, precisamos, sim de um planejamento continuo para o litoral, e esse tipo de visão só será implantada quando tivermos uma participação popular efetiva na politica de nossa cidade e região, pois enquanto tivermos meia dúzia de quadrilhas disputando o poder nas cidades do litoral, eles estarão fazendo negociatas e banditismos em nosso nome.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Personificação na Politica, um resquício do autoritarismo

A democracia no Brasil é uma coisa muito recente, e ainda não aprendemos a lidar totalmente com ela, temos em nossas práticas, mesmo que as mais democráticas resquícios de um autoritarismo, de um povo que segue as decisões de um grande líder, ou de um grupo que guia o pais "rumo a prosperidade".
No período entre 1500 e 1808 o Brasil foi colônia portuguesa, seguia os mandos e desmandos do monarca de Portugal, e não existia nenhuma representação politica na colônia, a não ser os cargos de "fiscais" da coroa nomeados pelo próprio rei. No pequeno período entre 1808 e 1822, a colônia passou a ser a sede do reino, ou na verdade um bom esconderijo para uma corte que corria de medo das invasões napoleônicas, tinhamos então um rei aqui, poder centralizado e decisões autoritárias como antes, nada mudou neste sentido.
Em 1822, com a grande falácia da independência, deixamos de ser colônia e viramos reino, com um Imperador, ou seja agora tínhamos o nosso próprio ditador, com centralização do poder, e alguns cargos políticos nomeados pelo déspota, e sem nenhuma participação politica popular.
Veio 1889 e a após nos tornarmos independentes, agora passamos a ser uma República, o que representou na verdade tomada do poder pelos militares da maçonaria, derrubando D. Pedro II que também era alto grau maçon, porém sem o apoio da ala militar, inicia-se outro processo de ditadura, agora comandada pelos militares, não é necessário relatar que neste período a participação política popular era praticamente nula.
Foi-se Republica Velha, com as oligarquias cafeeiras e leiteiras comandando o pais, e veio a República Velha com Vargas e a elite paulista, e em todo esse periodo até se instaurou o voto no Brasil, porém sempre de forma restrita a pequenos grupos, sempre o direito ao voto este atrelados a posses, nesse período o governo era amplamente sustentado pelas oligarquias regionais, a política coronélista, o voto de cabresto, os currais eleitorais iam desde o micro ao macro na politica brasileira.
Depois da ditadura Vargas, é que o Brasil começa a experimentar o voto direto, e a se relacionar com o sistema de democracia representativa, porém foi por um período curto de mais para que a população começasse a entender o processo como um todo, e em 1964 veio outro golpe militar, derrubam o presidente João Goulart, que até acenava, mesmo que discretamente, para uma democracia mais popular e participativa, e também por isso foi derrubado, a ditadura perdurou oficialmente até 1985, porém só tivemos eleições diretas em 1889.
Portanto temos pouco mais de 20 anos de voto democracia estabelecida no pais, escolhemos presidente apenas seis vezes, dai vemos que essa visão paternalista e personificada dos processos eleitorais é oriunda destes longos períodos de governo ditatorial e paternalista, onde os governantes e/ou grupos dominantes se colocaram como os defensores do pais, pais dos pobres, os responsáveis por guiar o pais rumo ao progresso.
E atualmente vemos que essa visão esta internalizada na população brasileira, tanto de eleitores como dos candidatos, pois uns esperam que os governantes após eleitos resolvam todos os problemas sozinhos e que são culpados de todos os problemas sem solução, e por outro lado temos políticos que ao se candidatarem a um cargo público, se colocam como salvadores da pátria, os responsáveis por mudar toda uma conjuntura politica, e essa visão de eleitores e candidatos esta estabelecida desde eleições para sindico até as presidenciais.
Precisamos ter uma nova mentalidade ao analisar campanhas politicas, devemos levar em conta projetos de governo e/ou gestão apresentados e não simplesmente a imagem de um candidato, pois o candidato não representa somente opiniões próprias, mais do que isso, ele representa opiniões e posicionamentos do seu partido, e do grupo politico no qual está inserido, quem vota em um candidato do DEM deve saber que ele pertence a um grupo politico que defende o neoliberalismo, as privatizações, a terceirização, que tem uma visão que privilegia a produção ao invés da qualidade; quem vota um candidato do PSOL deve saber que ele pertence a um grupo politico que defende o socialismo, que defende empresas estatais, que é contra terceirizações, e é um partido mais próximo a classe trabalhadora.
Hoje em dia é comum ouvir que não importa o partido e sim o candidato, porém vivemos em um pais com sistema de representação politica partidária, e os políticos ao se filiarem a um partido politico estão sujeitos a seguir as diretrizes estabelecidas por estes partidos, então importa muito o partido sim.
Porém a mudança na politica brasileira que todos queremos, só virá quando tivermos plena consciência de a democracia deve ser participativa e não representativa, temos hoje um senso comum de que votar é fazer sua parte, isso vem daquela velha visão de que o politico é o salvador da pátria que nos guiará rumo ao "desenvolvimento", porém nós é que devemos nos guiar nossos passos e o governante esta para seguir a vontade da população, portanto fazer a nossa parte é votar e acompanhar os mandatos dos eleitos, mesmo daqueles nos quais não votamos, pois só com a população cobrando e participando das decisões teremos governos que sigam rumos que atendam os interesses da população.